3 de fevereiro de 2010

Não sei bem

Nada demais, nada de menos,
Um verso, uma prosa, eu entendo,
Mas ouça-me também, por um minuto ao menos.

Sei que é triste escutar alguém em prantos
Mas eu não estando assim não vejo por quê tal desapego.

No aconchego de uma conversa boa,
Talvez devessemos mais é sorrir ao nada,
Tentar é simples, mas seja rápido, pois o tempo voa.

Rápido é a palavra mais contemporânea.
Atual, verídica, surtante.
Mas por quê apenas fala incessânte?
Talvez se parasse para escutar, pensamentos sussurrantes,
Saberia distinguir o que acabei de lhe cantar,
De um simples monólogo irritante.

2 de fevereiro de 2010

Sintonizado

Cada um de nós vive aquilo, que acha que é certo viver.
Somos simplesmente diferentes, e estamos sintonizados cada um numa frequencia.

É, nossa vida é como a frequencia de uma radio,
Horas anda em perfeita sintonia,
Outras encontramos alguns chiados.

Na vida devemos encontrar a frequencia certa para viver,
A sintonia certa.
Devemos procurar estar
Sintonizados com o dia-a-dia,
Sintonizados com o mundo.

Assim como o tempo, o amor varia,
Varia pro seu lado, ou para o lado do outro,
Vezes a frequencia e o tempo ajudam,
Mas quem está controlando o pequeno "radio" não.

Radio esse que também pode ser chamado de vida, se assim preferir,
Somos estações de radio, a mercê de quem esta no controle.

Escolhemos e decidimos, e com isso vivemos,
Vivemos aquilo que nos foi sintonizado.

27 de janeiro de 2010

Com um jeito meio blues

Olhar seus olhos, menina,
Me parece um tanto com o blues.
É como uma canção que tinha no meu peito
E que em um novo disco eu a pus.
Estranho pensar assim tão filosófico;
Mas em teu jeito exótico,
Escreveria os mais incríveis épicos.

26 de janeiro de 2010

Sonho melódico

Essa noite sonhei ser um solo em um blues melódico.
Era como compartilhar a rebeldia de meu corpo com meu espírito lírico.
Mas o mais impressionante era ver-me partindo no ar, dissolvendo.
Parece triste, mas se tivesse tido a chance de escutar
Não seria tanto assim como está parecendo.

14 de janeiro de 2010

Limonadas

A mulher tímida explica-se simples:
É simplesmente uma forma evoluída do limão.
Normalmente azedas;
Mostram-se verdes em qualquer ocasião;
Mas mas basta uns amaços,
E lá esta uma ótima limonada qualquer.
Interprete como quiser.

A falta que você me faz.

Sinto falta do teu abraço matinal,
E do teu beijo antes de dormir.
Sinto falta das nossas brincadeiras,
Das nossas besteiras.
Sinto falta da tua bagunça pela casa,
Das tuas caronas.

Sinto falta de lhe ver zangado,
Ou preocupado.
Sinto falta de lhe incomodar,
Simplesmente por incomodar.

Sinto falta da minha infância,
Na qual você sempre esteve presente diariamente.
Sinto falta das nossas viagens,
Nossas aventuras.

Sinto falta de dizer que te amo,
Te levar café na cama.
Sinto falta de fingir, que estou durmindo, só para você me acordar sorrindo.
Mas o que mais sinto falta,
É de lhe acordar e dizer,
Bom dia pai!

Destino ou acaso?

Ontem vi um anjo.
Anjo este que ao tocar-me,
Tocou do canto mais profundo de mim,
Olhou-me e disse algo, confundi-me.

Em desatento, senti uma ligação tão forte,
Simplesmente como um corte,
Que, a ela, mostrava minha alma.

Como se esta me arrancasse o coração,
Guardasse consigo,
Deixando-me sem escolha então.

Me condenei por nem ao menos o nome perguntar-te
Mas anjos de almas gêmeas reencontram-se
Como se ela fosse meu estandarte.

Down em mim

Me corroí por dentro,
Me maltrata por fora,
Faz eu me sentir um nada.

A cada dia que passa, o desanimo toma conta de meu corpo,
A vontade de fazer certas coisas, Simplesmente desapareceu.
Vivo entediado, com medo de tentar,
E sem vontade de arriscar.

Pensamentos agoniantes, me causam dores de cabeça,
Ando sem saber para onde ir,
Penso e logo despenso,
Sem saber o que fazer.

Tenho que vencer a mim mesmo,
Se quero continuar,
Pensamentos, milhões de pensamentos,
Circulam diariamente na minha cabeça,
Confusos, turvos, não os compreendo.

Já não sei o que digo,
Nem o que queria dizer.

13 de janeiro de 2010

Simples assim

Procuro seu cheiro em tudo que tenho.
Tudo que possa ter passado por sua mão.
Inclusive, eu mesmo.

Vergonha

Ao entrar no ônibus
Nem imaginava o que me esperava.
Do lado esquerdo, um assento.
Do outro, logo ali, mais atrás,
Um par de olhos me fitava.

Azuis ao que me lembro,
E de mansinho me aprossimava.
Sentei e esperei a coragem palpitar.
E umas quatro paradas após,
Resolvi olhar, que azar,
Lá estava comigo mesmo novamente a sós.