Tarde fria em Porto Alegre, e eu ali, estático naquele divã. Meu analista me parecia falar um blá-blá-blá qualquer simplesmente para me arrancar mais alguns trocados. Trocados eu disse? Só eu sei a grana que esse cara me cobrava.
- Me fale um pouco da sua infância.
- Bem, eu era uma criança comum, ou acho que era não sei. Sei que era difícil aguentar ficar preso em casa por pressão dos pais, porque eles não gostavam de como eu me vestia e tinham vergonha de mim. Tinha amigos, mas me faltava um amor...
- Hum...
- Não sei bem o que lhe dizer... Tive uma infância simples.
- Hum...
- Teve também o tempo em que morei na rua, e aí sim virei pivete. Era ladrãozinho de esquina, até conhecer um homem que me adotou. O cara era rico e foi quem me ensinou tudo. Deu-me carreira, me ensinou etiqueta e me mostrou que o mundo poderia ser honesto. Mas ele morreu, não consegui suportar a morte dele. Caí em depressão por isso. Fiquei doente, não sai mais de casa, fiquei isolado do mundo. Afinal, quem me fez ser “gente” foi aquele homem. Difícil suportar isso de maneira fácil. Você mesmo sendo analista, não sei se me entenderia...
- Hum...
- Então?
- Humm...
- Como assim? Você só fica aí me ouvindo e dizendo “hum...”. Não lhe pago pra isso!
- É verdade, vamos ao trabalho. Fale-me da sua infância...
- Como assim cara? Acabei de lhe falar!
- Desculpe, estava distraído.
- Como assim distraído? Dou-lhe uma grana toda a vez que venho aqui e você não presta atenção no que digo?!
- Ok. Desculpe.
- O que é isso aí?
- Uma bebida, aceita?
- Bebida? Você só pode estar louco cara!
- Tome um gole! Vai gostar... Dilui um antidepressivo nela... vai te ajudar...
31 de março de 2009
Leitura Inútil
Em meio à um bocejo, leio algumas linhas.
De um texto imenso, mas que eu não entendia.
Já na segunda vez que eu lia
Lia inclusive o verso, mas que nada me esclarecia.
Deve ser influência da primeira linha.
Pensei que iria ler algo que me fosse fácil entender
À minha cabeça não aprendia, nunca!
Pagando de mula.
Deveria pegar um livro pra ler
Ao invés de ficar horas olhando uma bula...
De um texto imenso, mas que eu não entendia.
Já na segunda vez que eu lia
Lia inclusive o verso, mas que nada me esclarecia.
Deve ser influência da primeira linha.
Pensei que iria ler algo que me fosse fácil entender
À minha cabeça não aprendia, nunca!
Pagando de mula.
Deveria pegar um livro pra ler
Ao invés de ficar horas olhando uma bula...
30 de março de 2009
Uma crônica de meia frase
Talvez de meia frase, mas não de meias palavras. O simples ato de pegar a caneta, olhar o verso sujo da mesa empoeirada e a face pautada clamando por rascunhos, me fazia pensar em escrever. Mas escrever o quê? Dissertar o quê?
Talvez fosse melhor tentar um desenho em uma folha ocre, mas as linhas não se unem nunca!
Sempre escrevo partindo de uma simples frase, talvez meia, ou um parágrafo. Assim se surgiria o texto nestas linhas básicas que se conhece.
Meus dedos simplesmente se perdiam em consoantes, almejando ditongos. Simplesmente impossível!
Talvez fosse mais fácil atravessar de barco por baixo da ponde de safena, ou quem sabe uma viajem ao centro de um neurônio. Mas escrever em dissonância buscando contatos entre vogais? Ah, isso não aconteceria. Não comigo.
Não tenho ideologia concreta de como escrever certo ou errado, sem buscar rimas, sem meios termos, assim como também não escrevo em prosa elevada de bêbados desfavorecidos.
Mas a única coisa que me intriga, é como posso escrever tanto, espremer a mente mais do que bagaço de laranja de umbigo. E ao final ler e rever, e ver que toda essa gramática basicamente estética não me diz nada.
Talvez fosse melhor tentar um desenho em uma folha ocre, mas as linhas não se unem nunca!
Sempre escrevo partindo de uma simples frase, talvez meia, ou um parágrafo. Assim se surgiria o texto nestas linhas básicas que se conhece.
Meus dedos simplesmente se perdiam em consoantes, almejando ditongos. Simplesmente impossível!
Talvez fosse mais fácil atravessar de barco por baixo da ponde de safena, ou quem sabe uma viajem ao centro de um neurônio. Mas escrever em dissonância buscando contatos entre vogais? Ah, isso não aconteceria. Não comigo.
Não tenho ideologia concreta de como escrever certo ou errado, sem buscar rimas, sem meios termos, assim como também não escrevo em prosa elevada de bêbados desfavorecidos.
Mas a única coisa que me intriga, é como posso escrever tanto, espremer a mente mais do que bagaço de laranja de umbigo. E ao final ler e rever, e ver que toda essa gramática basicamente estética não me diz nada.
Conde
Em meu poder, o meu condado.
Soberano deste povo,
Que sempre vive calado.
Às minhas ordens se curvam,
Apenas os leais tenho ao meu lado.
Deste povo corrompido,
Não havia esperado;
Que de simples rebanho oprimido,
Se tornariam capitalistas
De um mundo social descontrolado.
Soberano deste povo,
Que sempre vive calado.
Às minhas ordens se curvam,
Apenas os leais tenho ao meu lado.
Deste povo corrompido,
Não havia esperado;
Que de simples rebanho oprimido,
Se tornariam capitalistas
De um mundo social descontrolado.
27 de março de 2009
Informe!
Se debaixo dos caracóis dos seus cabelos, tenho uma história pra contar. Imagina o que tem no resto!
Bom pessoal... como sabem esse blog é um projeto meu e que depois de um tempo sozinho achei o cara certo pra escrever junto comigo que é o Tato. Mas outros também passaram por aqui.
Mas eu não to aqui pra jogar conversa fora... o que quero informar mesmo é que com essa onda de cada vez mais blogs de opiniões, cotidiano e diáziozinhos virtuais... resolvi fazer outros dois blogs para mim.
Um deles será Solo. E será inicialmente um portfólio... seguirá além com algumas tirinhas que pretendo fazer, mas isso ainda vai demorar até eu achar o redator certo.
E o segundo blog será no estilinho modinha e que se o Mr. Tato aceitar quero continuar a sociedade com ele neste novo projeto. Será um blog de variedades, bem diferente desse aqui, mas valerá a pena (ou não).
O nome?
Bom, o nome vocês saberão quando ficar pronto e o endereço constar aqui ao lado no Nova Aba.
Té mais pessoal! Comentem os textos, me chinguem e critiquem... é importante para que eu saiba o que é bom ou o que é ruim...
Tanks!
Bom pessoal... como sabem esse blog é um projeto meu e que depois de um tempo sozinho achei o cara certo pra escrever junto comigo que é o Tato. Mas outros também passaram por aqui.
Mas eu não to aqui pra jogar conversa fora... o que quero informar mesmo é que com essa onda de cada vez mais blogs de opiniões, cotidiano e diáziozinhos virtuais... resolvi fazer outros dois blogs para mim.
Um deles será Solo. E será inicialmente um portfólio... seguirá além com algumas tirinhas que pretendo fazer, mas isso ainda vai demorar até eu achar o redator certo.
E o segundo blog será no estilinho modinha e que se o Mr. Tato aceitar quero continuar a sociedade com ele neste novo projeto. Será um blog de variedades, bem diferente desse aqui, mas valerá a pena (ou não).
O nome?
Bom, o nome vocês saberão quando ficar pronto e o endereço constar aqui ao lado no Nova Aba.
Té mais pessoal! Comentem os textos, me chinguem e critiquem... é importante para que eu saiba o que é bom ou o que é ruim...
Tanks!
Bate-Papo
Um bar, um barman, geladas e dois figuras meio estranhos sentados ao balcão formavam a cena. Se fosse eu o barman, estranharia ao olhar para os dois figuras, que apesar de parecerem serem amigos, ou no mínimo conhecidos um do outro, tinham expressões distintas. Um com um rosto forte e bonito, porém com uma expressão obscura e convicta. O outro, com uma face bela porém mais limpa, mantia uma imagem tranquila em seu rosto. Mas apesar de terem explicitamente sentimentos diferentes, tinham certas semelhanças físicas.
O barman que não se preocupou em reparar em tais detalhes, levanta a cabeça e olha para os dois.
- O que bebem hoje senhores?
- Para mim um martini. - Diz o homem tranquilo, com uma voz bonita e suave.
- Eu vou querer uma tequila. - Diz o outro com uma voz tão forte e marcante como sua aparência.
O primeiro então dirige o olhar para o outro e diz:
- Jonny, você não acha que nossa sociedade está me desfavorecendo demais?
- Pois é Charlie, mas foi você que especificou quem você queria ou não no seu paraisozinho...
O barman serve os drinks, para e fica observando a conversa.
- Mas agora acho que não está certo. São muito poucos os que vem para mim. Já pra você, vai a grande maioria. E pra quê? Pra ficar sofrendo!
- Não me venha com essa agora. Fizemos uma aposta uma vez e você perdeu achando que ninguém comeria a tal maçã. Agora quer desfazer nosso contrato que divide as almas? Sem chance meu velho!
- Tá, mas e se fizermos um reajuste de uns 30% dos que vão para você, ao invés disso irem para mim?
- Você só pode tá brincando Charlie... 30%?! Só pode estar louco!
- Pode ser um pouco menos então.
- Nem pouco menos, nem muito menos.
- Mas...
- Sem "mas".
Então o silêncio tomou conta do lugar, e após uma boa pausa, Charlie enche o peito para falar e Jonny diz:
- Já sei,já sei... vai insistir em querer negociar não vai?
- Não, não...
- Então o quê?
- Vou te forçar a querer renegociar.
- Como?
- Te sobrecarregando.
- Não entendo... como vai fazer isso?
- À partir de agora os homens irão para você pois serão egoístas e egocêntricos. Vou chamar isso de... capitalismo.
- Mas isso será impossível! Fazer todos serem assim. Você só pode estar louco!
- Isso se resolverá de maneira simples... será aliado a tal da globalização.
- Globali... o quê?
- ...zação.
- Puxa!
- Essa piada já é manjada...
- Droga! Pensando bem... vamos reajustar?
- (pensando)E depois dizem que é o diabo que sabe influenciar.
O barman que não se preocupou em reparar em tais detalhes, levanta a cabeça e olha para os dois.
- O que bebem hoje senhores?
- Para mim um martini. - Diz o homem tranquilo, com uma voz bonita e suave.
- Eu vou querer uma tequila. - Diz o outro com uma voz tão forte e marcante como sua aparência.
O primeiro então dirige o olhar para o outro e diz:
- Jonny, você não acha que nossa sociedade está me desfavorecendo demais?
- Pois é Charlie, mas foi você que especificou quem você queria ou não no seu paraisozinho...
O barman serve os drinks, para e fica observando a conversa.
- Mas agora acho que não está certo. São muito poucos os que vem para mim. Já pra você, vai a grande maioria. E pra quê? Pra ficar sofrendo!
- Não me venha com essa agora. Fizemos uma aposta uma vez e você perdeu achando que ninguém comeria a tal maçã. Agora quer desfazer nosso contrato que divide as almas? Sem chance meu velho!
- Tá, mas e se fizermos um reajuste de uns 30% dos que vão para você, ao invés disso irem para mim?
- Você só pode tá brincando Charlie... 30%?! Só pode estar louco!
- Pode ser um pouco menos então.
- Nem pouco menos, nem muito menos.
- Mas...
- Sem "mas".
Então o silêncio tomou conta do lugar, e após uma boa pausa, Charlie enche o peito para falar e Jonny diz:
- Já sei,já sei... vai insistir em querer negociar não vai?
- Não, não...
- Então o quê?
- Vou te forçar a querer renegociar.
- Como?
- Te sobrecarregando.
- Não entendo... como vai fazer isso?
- À partir de agora os homens irão para você pois serão egoístas e egocêntricos. Vou chamar isso de... capitalismo.
- Mas isso será impossível! Fazer todos serem assim. Você só pode estar louco!
- Isso se resolverá de maneira simples... será aliado a tal da globalização.
- Globali... o quê?
- ...zação.
- Puxa!
- Essa piada já é manjada...
- Droga! Pensando bem... vamos reajustar?
- (pensando)E depois dizem que é o diabo que sabe influenciar.
Sem inspiração
Rimar com classe é difícil.
Mas tentaria se encontrasse o verso.
Escondido num canto de sabiá.
Ou na prateleira em meio aos pratos.
E agora poeta? Que rima terá?
Talvez um trocadilho barato
Quem sabe uma rima simples de fato (com mato)
Só restaste o pranto poeta, só restou-lhe o olhar
Que mesmo triste, cansado de tentar,
Amontoa palavras.
Pra quem sabe um dia sem capricho
Escrever poema se precisar rimar
Ao invés de escrever e jogar a folha no lixo.
Mas tentaria se encontrasse o verso.
Escondido num canto de sabiá.
Ou na prateleira em meio aos pratos.
E agora poeta? Que rima terá?
Talvez um trocadilho barato
Quem sabe uma rima simples de fato (com mato)
Só restaste o pranto poeta, só restou-lhe o olhar
Que mesmo triste, cansado de tentar,
Amontoa palavras.
Pra quem sabe um dia sem capricho
Escrever poema se precisar rimar
Ao invés de escrever e jogar a folha no lixo.
26 de março de 2009
Jessica
Seu olhar é terno, doce.
Queria apenas um beijo teu,
Um simples olhar que fosse.
Sua voz é linda, macia,
E teus cabelos loiros tem um cheiro inconfundível.
És bela, sim, o que mais acharia?
Mas além de sua beleza foste incrível.
Mulher indescritível, que me completa.
Tudo isso me encanta e me fascina.
Acha que desde sempre sou poeta?
Não, não. Apenas quando te amar virou rotina.
Queria apenas um beijo teu,
Um simples olhar que fosse.
Sua voz é linda, macia,
E teus cabelos loiros tem um cheiro inconfundível.
És bela, sim, o que mais acharia?
Mas além de sua beleza foste incrível.
Mulher indescritível, que me completa.
Tudo isso me encanta e me fascina.
Acha que desde sempre sou poeta?
Não, não. Apenas quando te amar virou rotina.
25 de março de 2009
Noção de Estética
Em Porto Alegre sempre vejo
Versos e frases dentro de um ônibus
Jogadas em um fundo laranja horrendo.
Os versos são lindos,
Mas esse fundo, laranja?
Não entendo.
Talvez seja o laranja a cor do humor.
Mas e se os versos falarem de amor?
Ou forem uma crítica sem pudor?
Talvez esse fundo devesse ser repensado.
Quem sabe o antigo verde
Que já manjado, dá um ar tranquilo
E com toda a certeza é melhor do que aquilo.
Versos e frases dentro de um ônibus
Jogadas em um fundo laranja horrendo.
Os versos são lindos,
Mas esse fundo, laranja?
Não entendo.
Talvez seja o laranja a cor do humor.
Mas e se os versos falarem de amor?
Ou forem uma crítica sem pudor?
Talvez esse fundo devesse ser repensado.
Quem sabe o antigo verde
Que já manjado, dá um ar tranquilo
E com toda a certeza é melhor do que aquilo.
24 de março de 2009
O sonhar
Me permito sonhar,
Se não sonho eu tento,
Não me lamento,
O sonho deve estar junto
Deve estar dentro
Da cabeça de vento.
Se não sonho eu tento,
Não me lamento,
O sonho deve estar junto
Deve estar dentro
Da cabeça de vento.
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