27 de agosto de 2010

A Busca

Por campos desertos a letra cavalga
Procurando o oásis poético da palavra
Mas ainda só areia de versículos
Ainda só tempestades de fascículos falsíficos

A cavalgada continua, pobre letra coitada
Cortada de verbos aportuguesados no dicionário
Esquecida em cantos da maldade ortográfica
Só lhe resta cair ao chão de prefíxos

Hoje, sufíxo de palavras enigmáticas
Sem significado ou terminação rimável
Esqueceu-se das práticas sintáticas
Contatadas em um texto deplorável

26 de agosto de 2010

O Choro

O vento chora ao tocar as árvores
O rosto chora ao sentir a dor de um corte
O mar chora tanto que preenche as marés
A vida chora por terminar em morte

O choro é coisa mesmo muito complexa, no entanto
A vida sorri a cada dia de sol nascente
Não vejo motivos então para tal pranto.

25 de agosto de 2010

Um dia Deus disse...

Eu sou o ar que vira vento e carrega a água, que vira ondas e também a fortalecer o fogo. Mas as ondas caem sobre o fogo que para na terra seca que vira barro.

Bruno Betat Navarro

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Esse texto foi escrito por meu sobrinho, de 9 anos, que escreve boas e concisas poesias.
Apesar de novo, a fruta nunca cairá longe do pé.
Em breve postarei mais textos de autoria dele como havia prometido há algum tempo.
Comentem, ele gosta de saber como está indo.

24 de agosto de 2010

23 de agosto de 2010

Something About Me and You

Oh baby, it’s early morning
I don’t wanna lose you
The sun has just risen up
And i don’t wanna work to

I think where do you living
And I don’t know the truth
The birds are singing something
Something about me and you

This is... This is a beatifull day
But for me... For me it’s so gray

18 de agosto de 2010

Conjugações

Sempre quis conjugar minha vida
Assim como faço com os verbos e tal.
Tirar coisas do infinitivo de minha vaga mente
E vagamente referir-se aos dias com uma nobre vogal.

Quanto aos verbos de minha vida atoa
Equilibraria consoantes e vogais igualmente.
Consoantes me lembram pretérito e vogais o futuro.
E um lado obscuro de mim define isso estranhamente.

Enfim, quero conjugar verbos bons que, ao final, repetem vogais.
Assim como é a palavra "doo"
Aí então me empresto ao presente num simples voo.

17 de agosto de 2010

Carícias

Vejo teus olhos sob a luz da lua
Atraído pela luz que ilumina a noite
Não mais das estrelas, mas sim tua
Com um jeito sedutor de ser mulher


Teus lábios me tocam
Como o doce gole de um belo vinho
Então, nossos corpos se unem
Em direções opostas mas num mesmo caminho

16 de agosto de 2010

Tom e Cor

Minha vida viaja em semanas
Semanas feitas apenas de segundas-feiras
Dias monótonos, monocromáticos em tons de cinza
Regados de opiniões alheias

Sua vida viaja em semanas
Feitas apenas de domingos ensolarados
Repletos de cores sólidas não-amenas
Que, mesmo alegres, não dão o colorido desejado

Somos feitos um para o outro
Meus dias cinzentos dão o tom para os seus
Completando a semana com dias diferentes dos meus

15 de agosto de 2010

Espelho Transverso

O que te fazes ser humano? Ou um Ser Humano.
Serei humano frente a mim mesmo?
Minha face olha atentamente essa estranha forma
Que aparece no espelho a me olhar.
Veja!
Sou você mesmo.

14 de agosto de 2010

Para ela

Certa vez achei que dar flores a alguém. Mas me desanimei pois junto com elas murchou meu amor.
Hoje, Natal, tenho em mãos estas lindas flores e entrego a ti.
Entrego a ti também meu corpo, pois nem só de flores poderá me ter.
Te entregarei junto minha alma também, pois nem só de corpo o amor se satisfaz.
Por último, para que me tenhas por inteiro, te entregarei meu olhar.
Olhar este que não se compara aos teus lindos olhos cor de avelã, que brilham ao me ver acompanhando o brilho dos meus.
Meu olhar que já derramou lágrimas, porém se hoje derramar alguma, será de felicidade.
Meu olhar que no seu jeito castanho de ser, fica encantado ao encontrar os teus na direção oposta.
Dizem que os olhos são as janelas da alma. Se assim for, já a tens.
Agora olhe as flores e veja que elas são a prova material do que sinto.
Não por serem belas, pois logo murcharão.
Nem por serem coloridas, pois isto se apaga com o tempo.
Muito menos por serem cheirosas.
Mas pelo simples sentimento que te entrego junto com elas, e que ficará em sua mente por uma vida inteira, como lembrança.
Então sempre que quiser, feche os olhos e pense nas flores, e assim lembrará que esse foi um simples jeito meu de te dizer:
- TE AMO!

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Esse foi o texto que escrevi para uma pessoa infinitamente especial para mim.
Hoje, não sei ao certo que fim se deu a mensagem, mas sei que ela ainda lembra. Essa foi, talvez a única, prova física de meu romantismo que ainda é tangível.

13 de agosto de 2010

Adeus babilônia

Agora vou descansar,
Vou embora ver o mar,
Quebrar a rotina,
Fugir da cidade,
Curtir a natureza,
Na eterna busca da felicidade.

Cansei de todo esse tumulto,
De toda essa poluição,
Eu quero ver o verde,
Se misturar ao azul,
Quero aproveitar o canto dos pássaros,
Ao invés de gritos, buzinas ou passos.

Eu quero é viver,
Explorar o melhor do mundo,
Não vou me limitar,
Não vou viver entre as pedras,
Eu quero é sentir o chão com meus pés,
Quero respirar sem medo de sufocar,
Quero poder ver todo o dia,
O azul do mar.

Boteco

Num lugar onde as pessoas se fazem mal
Dando importancia a qualquer coisa ilegal
Mas não importa o que me digam aqui
Traz uma cerveja que já tá legal

Diz pra mim o que acontece com você
Se não está bebado não sei lhe reconhecer
Mas é verdade tudo aquilo que te disse ontem
Vem meu grande amigo, nós vamos beber

Hoje não tem futebol na TV
Vamos pro bar encher a cara numa farra
E amanhã não me conte o que aconteceu

12 de agosto de 2010

Cuidado

Se fosse tu um pássaro
Eu seria um galho de árvore
Amparando seu descanso após o longo vôo do dia.

Só você

Se não fosse por causa da tua estupidez,
Você seria a pessoa mais doce já vista,
Se não fosse por causa de sua timidez,
Talvez tu pudesse ser a criatura mais espontânea que já vi,
Se não fosses tão arisca,
Seria a mais meiga.

Mas talvez,
Se você não fosse,
Exatamente como você é,
Quem sabe, talvez,
Eu não te amasse,
Como te amo.

11 de agosto de 2010

Grande Rede

A aposta tecnológica
A comunicação transcendente
A interligação de fios ópticos
A sociedade em estilhaços.

Não seria melhor fazer uso de abraços?

10 de agosto de 2010

Gerundiando

Senhor,
Nós vamos estar orando
E sua ligação estará gravando
Para seu melhor atendimento.

Estaremos averiguando
O que o senhor está solicitando.
A sua conta estaremos cancelando
Assim que o senhor estiver enfartando.

Sem destino

Eu não escolho quando ele virá.

Silenciosamente, ele aparece,
E como num vulto desaparece.
Tenho medo, confesso!

Meu corpo se arrepia,
Quando você vem.
Me deixe em paz!
Vá! Por favor, vá!

Já não aguento este tormento,
Sua voz enlouquece minha cabeça,
Sua presença, dispara latidos,
E sua alma,
Vaga por minha casa.

9 de agosto de 2010

Falta o principal

Com a ponta do lápis
Eu rabisco o papel,
Rabisco, rabisco,
Apago,
E novamente rabisco.

Nada que escrevo parece ter fundamento,
Minha mente voa, para tentar buscar inspiração,
E nada!

Me desespero ao tentar encontrar,
Encontrar a fórmula certa para criar,
Criar alguma maneira,
Para que eu possa lhe ter novamente.

Escrever, escrever,
Passam horas, passam dias,
E tudo que eu quero é escrever.

Tenho tudo que preciso,
Ou melhor quase tudo.
Tenho lápis, borracha e papel,
Me falta apenas,
A inspiração.

A cura

Tédio, tédio, tédio
Tédio, nostalgia e tédio.
Estou cansado desse tédio,
Este imenso tédio que domina o meu corpo.
Talvez exista,
Sim! Talvez exista alguma cura,
Para todo este tédio.

8 de agosto de 2010

Espelho

Tento olhar para ti seguidamente
Dificilmente consigo motivo
Motivo para encarar-te
Motivo para manter-te

Atráz de ti a parede gélida
Fria pedra em que te escoras
Fria tintura em que te pinduras
Encara-me olho-a-olho mas não falas

Não mais me mostre a face
Refleta a luz de centelho
Em forma de alegria conjugal

6 de agosto de 2010

Uivo

Ontem a noite caiu de maneira espraiada,
Sublime véu azul escuro que acobertou minhas angústias.
Algo como um abraço estrelado noturno.
Algo simplesmente atrelado ao consumismo diúrno.

A Lua, imponente no céu anoitecido,
Lembrava um medalhão dourado
Oferecido àqueles que não a merecem
Objeto de muitos desejos uivados.

Desculpe-me por me declarar
Linda luz de desejo da noite
Resumida em um oferecido luar.

4 de agosto de 2010

Espraiadas de Dejetos

Ah! a praia!
Linda beirada continental imunda
Cheia dos seus impregnantes
Onde banhistas empanam a bunda

Penso no que seria destas
Sem suas belezas reciláveis.
Dejetos de luxúria,
Compostos deterioráveis.

Anos luz em sua vida deplorável.
Datas incontáveis, desaproveitáveis
De atitudes deploráveis

3 de agosto de 2010

Mais uma vida

O segundo dia participativo
É sempre aquele em que me condiciono.
Condiciono-me a ser indagativo.
Me acostumo à insônia de ser eu mesmo.

Me imagino uma adaga de ponta redonda
Ou uma dose de sintéticos com calmante.
Verdade seja dita, meu caro,
Vida confusa de adrenalina alucinante.

Vou tentar dormir algum dia
Acordar, sentir-me o mesmo,
Mas fingir que não sabia.

2 de agosto de 2010

Café (zinho)

Dissolvi meus conceitos
Numa xícara de café quente.
Hiperativo por tal aditivo.
Filosofias de num frenesi incessante.

Oh! Água negra dos resultados expontâneos
Mostra-me do avesso.
Faça-me instantâneo.
Ostenta-me obcesso.

Simples arremesso de ideias
No imenso mediterrâneo.

1 de agosto de 2010

A Roça

O dia lá fora raiara.
Meu galo, lá fora, cantara.
Pela janela, a vizinha me olhara.
Retrebuí o olhar, como quem para.
Decidí trabalhar, a moleza acabara.
Na roça, o espantalho me olha, me encara.
Também pudera,
Tirei descanso outrora,
Não arei minha terra.
Plantação se foi, já era.